Hoje,
Ao sol ou dentro de um quarto,
o espelho é o mesmo,
igual ao ontem e amanha...
Hoje nú, ilusão,
vestido, capa real, afinal os sentidos enganam,
afinal não esta sol,
chove,
afinal não é um quarto,
e eu estou nú, na rua,
afinal sou o imoral,
o mendigo palhaço...
Hoje,
igual ao ontem de amanha
procuro (mas eu nao procuro)
em cima, o que esta em baixo,
á direita o que caminha na esquerda...
afinal
os sentidos enganam...
ontem, no jardim,
havia papoilas, margaridas,
rosas e tulipas,
e no ontem do amanha, passaram
(e quem passou?) e plantaram
espinhos, cactos e pó...
afinal,
ja não são espinhos, são carne,
rasgada,
ja não são cactos, são deseros
de mil teorias e duvidas...
e do pó, apenas o cadaver
do erro, sempre o mesmo erro...
do ontem e do amanha...
afinal os sentidos enganam!
1995 Tomar - Raul Bernado
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Silêncio perdido
numa barafunda
inquietante onde o silencio
impera numa noite funesta
e estupidamente errada.
Controlo de sentimentos incontroláveis
Onde a ilusão escorre como
Uma calma envolvente
Num espaço infinito de um amor esquisito.
Tentação de um não querer
Desconhecido onde o amor
Vence o medo onde o amor vence o frio
Mas com grande infelicidade não se vence a si próprioSilêncio impugnante
E cruel
Onde me perco
Onde me revejo
E me refaço
Silêncio numa escuridão
Inabalável
Silêncio
De não te ter a meu lado
Silêncio de
Querer estar onde não estou
Silêncio de poderosa ilusão
Onde habito e quero fugir
Silencio que me consome
E me destrói
O deserto das cidades,
Sem corpo sem sentimento,
Ganhou forma,
Ganhou cor,
Ganhou um tudo,
Mas no fim um nada!
O desunido do ser,
Ingénuo, incrédulo, criança,
Ganhou honra,
Ganhou corpo…
O corpo do deserto das cidades!
Corres-te mas não foi para mim…
Para alguém?!
Não sei!
Para ti?!
Não!
Tu não te conheces…
Tens medo do que és,
Do que pensas,
Do que sentes…
Odeias ser amada…
Amas o vilipêndio…
Odeias-te a ti,
E ainda mais aquele que a ti ama!
És o deserto da cidade,
Sem corpo sem coração,
És a alvorada da tua noite,
Pois em cada primavera…
Tentas fugir por termos incertos,
Fazes divagações de coração fechado,
Fazes poesia de boca fechada,
Queres amar de coração fechado!
Ninguém nos abre o coração para amar…
Somos nos…
Somos nossos…
Simples nadas…
Sem metade,
Sem coração,
Sem silhueta!
A vida dá-te vilipêndio,
E tu amas a vida…
A vida dá-te amor e tu queres fugir,
Fugir para um mundo de príncipes,
Príncipes maus,
Pois os bons amam-te…
Fugir para um mundo onde tu mandas,
Mas no nada…
Um mundo em que não tens palavra a dar,
Num mundo que não sabes o que és…
O engraçado é que nunca sais da realidade…
Nunca sabes o que és!
És tu que foges?
Sou eu que te fujo?
Não…
Sim sei o que sinto…
A ti!
Farto de lutas, assim estou
Carrego-me a mim,
Carrego um passado do qual não gosto
Mas faço-o por ti…
Será que gostas?
Não sei, mas não vejo nele algo que tu mereças!
Calado apenas…
Observo-te!
Como és linda e meiga…
Passando por mim, sinto-te…
Sinto-te aqui tão perto de mim…
Andando por palavras,
Sigo a avenida de sonhos…
A quem me pergunta,
Respondo…
Estou aqui e estou ali…
Estou onde tu estas…
(Onde eu queria estar!)
Solidão, consequência de sonhos!
Mete medo esta solidão de não te ter…
De não te ter aqui…
Contudo gosto do que sinto,
Gosto deste sofrimento de não te ver,
Desde querer e não o ter…
Sabes?!
Para mim,
Basta estar para o ser,
Destino o meu,
Ser como existo,
Para tal limito-me a crer…
Não só a crer…
Mas a simples certeza de te ver um dia…
Três horas…
Três minutos…
Já me dissimula a vontade de chorar a tua ausência…
A tua ausência presente!
Enfim aqui estou,
Para sempre?
Não certamente,
Mas para ti…
Eternamente!
Procurei e perdi-me…
Perdi-me ao tentar saber,
Mas quem és tu?
Perdi-me num mundo lindo,
Onde impera o olhar, o sorrir, a voz, o falar, o ser…
Perdi-me onde sempre quis estar,
Perdi-me no mundo que tantas e tantas vezes a imaginação me dá,
Perdi-me em ti,
Pois tu…
Tu não és «um nada»,
Mas sim «um tudo»…
Simplesmente o meu tudo!
Encontrei o meu tudo…
Vi o seu olhar e tremi,
Fiquei petrificado, imóvel,
De tal modo que só um:
«Eu conheço-te!»
Me escapou…
O sorriso é lindo.
Meigo, calmo e cheio de beleza…
A voz…
Essa é mágica e envolvente!
Definitivamente Ela,
Não é um nada
Mas sim um tudo
Simplesmente o meu tudo!
És real?
Todos os dias estás aqui,
Junto a mim,
Na minha vida no meu dia!
Não passa um minuto,
Não passa um momento,
Sem que tu estejas!
Quero ver-te, tocar-te, abraçar-te…
Sentir o teu olhar doce, meigo,
Cor de céu…
Mas como podia ser outra cor?
Tu não és um nada
Mas sim um tudo
Simplesmente o meu tudo
Logo se me perguntares se és real…
Não! És mais que isso…
És a minha vida!
Preciso de ti!
Acção Católica rural…
Se me pedirem para dizer o que é isto de ACR, primeiramente diria que é um movimento católico de jovens, adultos, crianças, um movimento de todos e para todos…
Contudo é muito mais que isso…
A ACR é uma casa…a casa do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
As pedras são os militantes, a base é o Amor infinito pelo outros e pelo Pai, e o projecto é análogo ao do Pai!
É nesta casa que eu aprendo a ser cada dia mais humano, a amar, a respeitar, a dar a mão ao que mais necessita…
Visto o movimento não ser composto nem de um, nem de dois, nem de três, mas sim de milhões, era impensável não juntar toda essa grande massa humana num encontro nacional!
Pela oitava vez deu-se o Encontro Nacional, desta vez em Viana do Castelo.
Foram cerca de 700 pessoas, maioria jovens, vindas de várias dioceses, que correram a este grande momento para o movimento.
A manha começou com o acolhimento das dioceses, onde os olhares daqueles que não se viam á cerca de um ano se cruzaram, onde os braços daqueles que igualmente não se viam á muito tempo se apertaram afim de matar as saudades que habitavam nos seus corações…
Seguiu-se a oração da manha, onde se pediu forças para a caminha daquele dia, e se agradeceu o facto de estarmos todos juntos mais um ano!
O tema do movimento este ano são os meios de comunicação e a vida, logo a apresentação das várias dioceses foi baseada nestes temas…
Cada diocese estava representada por um meio de comunicação, e de uma forma apelativa, imaginativa, lá nos deparamos com grandes momentos!
A alegria, a cor, o sorrisos e a imaginação não faltaram…
Depois veio a hora de recuperar forças…a hora do almoço!
Foi um bom momento para por as conversas em dia, um bom momento para brincar, para sorrir, para abraçar…e claro para comer!
A tarde continuou animada…
Além de uma parede para grafitar tivemos também uma sessão de karaoke, onde os sorrisos afinaram com a voz, tornando-se assim num momento de plena alegria!
Por fim o encerramento com a Eucaristia…
Sem dúvida que Deus estava ali!!!
O calor humano, as palavras que soavam nos nossos corações, os olhares que falavam numa linguagem muda, mas que no fundo dizia tudo…tudo apontava para uma presença d´Aquele que é a nossa vida o nosso tudo!
No final a despedida…
Entre abraços, lágrimas, sorrisos, lá fomos cada um para a sua diocese, com o coração cheio de força para dar a conhecer o rosto de amor que é o de Cristo.
A todos os presentes agradeço o vosso SIM ao projecto de Deus, e mesmo aqueles que não estiveram presentes foram bem lembrados, pois nunca saem dos nossos corações!
A Viana… obrigado por nos terem proporcionado este belo dia de partilha e de estar…
Que a paz fique convosco
Eternamente vosso…
Que a música é uma arte não se pode negar, porém dar-lhe uma definição objectiva e universal já é outra coisa!
Muitos são os músicos, os filósofos, os estetas que procuram ao longo de séculos dar a definição para esta arte, porém soam sempre incompletas ou unilaterais.
Exemplos destes homens são Santo Agostinho (354-430) que diz que a música é a «Arte de bem movimentar os sons». Neste caso simplesmente se dá importância ao aspecto técnico da música. René Descartes (1596-1650), filosofo francês, define a música da seguinte forma : «o fito da música é de nos deleitar e despertar em nós diversos sentimentos». Proposição finalista que não abrange a essência da musica. Por sua vez Jean-Jacques Rosseau diz que a musica é a «Arte de combinar os sons de uma forma agradável ao ouvido». O que é agradável para uns não é agradável para outros. Como sabemos a música não trata só do que é agradável.
Evidentemente que com isto não quero criticar estes pensamentos, nem os seus autores, nem mesmo a época em que foram produzidos, mas sim explanar que com eles não se consegue o conceito completo de musica.
Então o que é a musica?
Um pássaro a chilrear, o som das ondas do mar a quebrarem-se no areal da praia, os pedreiros nas obras a utilizar martelos pneumáticos, serrando, utilizando todo o tipo de maquinarias, como numa «sinfonia desordenada de ruídos»…Tudo isto é musica?
Há uma questão importante a ser observada: a intenção de fazer musica, o desejo e a acção de criar sons. Podemos também reflectir acerca da intenção de ouvir algo como musica. Posso entrar num bosque e ter a intenção de ouvir o som das folhas ao vento como música. Então, a intenção de fazer e de ouvir sons torna-se importante para sabermos se «um amontoado de sons» é mesmo musica ou não.
Portanto, a definição de «musica» é tão subjectiva quanto ela própria.
No nosso dia somos confrontados com muitos géneros de «musica»… desde o pop, o rock, a musica popular, o rap, o hip-hop, etc.
Contudo muitos de nós esquecemos ou não temos paciência para ouvir e apreciar a música de onde derivam todos estes géneros…a Música Erudita, normalmente intitulada de Musica Clássica.
Para melhor compreender e usufruir uma peça musical é conveniente saber situá-la no tempo. Mesmo quem não tem formação musical, com algumas audições, rapidamente saberá distinguir, grosso modo, as várias fases, épocas ou eras da história da musica.
Quais são estas épocas?
- Musica medieval (antes do séc. XV): musica muito simples, dotada apenas de melodia e com ritmo irregular. Esta época relaciona-se com o movimento literário Trovadorismo.
- Musica Renascentista (séc. XV) : Começa-se a repetição de melodias inteiras e surge a notação métrica, abandonando-se os ritmos medievais. Aumenta-se o uso de instrumentação.
- Barroco (primeiro período no séc. XVI; segundo período no séc. XVII): Uso do baixo continuo, do contraponto e da harmonia tonal. Nesta época surgem os géneros musicais puramente instrumentais como suite e concerto.
- Classicismo (primeiro período no séc. XVIII; segundo período no séc. XIX): é caracterizado pela claridade, simetria e equilíbrio. Este período coincidiu com o Iluminismo, que vem enfatizar a razão e a lógica.
- Romântico (primeiro e segundo período no séc. XIX): o romantismo é mais flexível quanto ás formas musicais, focando mais o sentimento que a precisão.
- Impressionismo (séc. XIX)
- Expressionismo (séc. XX)
- Modernismo (séc. XX)
Estas três épocas representam a crise dos valores Clássicos, existindo alguns autores que consideram que representa uma progressão do estilo do século XIX, outros ainda, consideram que foi a completa negação do método de composição clássico.
- Vanguardismo (séc. XX)
Mas mais importante do que conhecer as épocas onde se inserem as peças musicais, é saber ouvir…
No mundo actual, com uma poluição sonora absurda, muitas vezes não nos damos conta dos sons que estão ao nosso redor. O músico e educador Murray Schafer tem alertado para esse problema: «precisamos parar e ouvir a «paisagem sonora» que nos cerca.»
Vivemos num mundo cheio de sons, onde o silêncio absoluto, como diria o musico norte-americano John Cage, só existe com a morte.
Faça a seguinte experiência em qualquer hora do dia, ou da noite: pare por um instante e ouça os sons ao seu redor, sons fortes, fracos, distantes, repetitivos, ocasionais, que lhe agradem ou incomodem, sons de máquinas, etc.
Observe como existe todo um «universo sonoro», uma paisagem sonora que passa despercebida.
O filosofo e poeta alemão Friedrich Nietzche disse um dia : «Sem música a vida seria um erro».
Com toda a certeza ele tinha razão…
. Encontro Nacional ACR- Vi...